domingo, 24 de julho de 2011

Síndrome fez com que Louisa Ball, 16, perdesse provas, festas de amigos e feriados.

Doença rara faz jovem dormir por até 10 dias seguidos

Síndrome fez com que Louisa Ball, 16, perdesse provas, festas de amigos e feriados.

BBC Brasil


foto: BBC
Louisa Ball, de 16 anos, pode levar até dez dias para despertar. Ela é portadora de um distúrbio neurológico raro conhecido como Síndrome de Kleine-Levin (SKL). (Foto: BBC)
Louisa Ball, de 16 anos, pode levar até dez dias para despertar. Ela é portadora de um distúrbio neurológico raro conhecido como Síndrome de Kleine-Levin (SKL). (Foto: BBC)


Enquanto a maioria dos adolescentes sofre para levantar da cama pela manhã, Louisa Ball, de 16 anos, pode levar até dez dias para despertar completamente do sono. Ela sofre de um raro distúrbio neurológico chamado síndrome de Kleine-Levin (SKL), que já a fez dormir durante provas, aniversários de amigos e feriados inteiros.

"Eu tinha alucinações e, depois, não me lembrava de nada. De repente tudo ficava escuro e eu dormia por dez dias. Acordava e tudo estava bem de novo", disse a jovem à BBC. A doença se manifestou em 2008, quando a adolescente começou a cochilar nas aulas e a se comportar de forma estranha.

Levada ao médico, acabou por ser diagnosticada com a síndrome de Kleine-Levin, doença cuja causa é desconhecida e sem cura. "Um indivíduo com SKL terá episódios de sono, geralmente com duração entre uma e três semanas, com distúrbios cognitivos nas poucas horas em que estiver acordado", diz Tom Rico, pesquisador do Centro de Narcolepsia e SKL da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos.

Segundo ele, a síndrome às vezes se manifesta após infecções ou outras doenças. Ela geralmente afeta adolescentes do sexo masculino, que também podem apresentar hipersexualidade, irritabilidade e o hábito de comer compulsivamente.

"Durante esse período, um paciente dormirá algo entre 16 horas e 22 horas por dia, todos os dias, até o fim do evento." O tratamento recomendado é permitir que o paciente durma, e não ministrar remédios.

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Quando a doença para de se manifestar, conta o médico, o indivíduo volta a dormir e a se comportar normalmente. Rico diz que não há dados sobre a prevalência da doença, já que muitos casos jamais são diagnosticados. A boa notícia é que ela pode desaparecer como surgiu, o que geralmente ocorre após dez ou 15 anos.

Recordações

foto: BBC
Louise vive uma fase de três meses sem nenhum episódio, mas seus pais continuam a monitorá-la. Durante as crises, médicos recomendam que a adolescente seja acordada uma vez por dia para receber alimentação e ser levada ao banheiro. (Foto: BBC)
Louise vive uma fase de três meses sem nenhum episódio, mas seus pais continuam a monitorá-la. Durante as crises, médicos recomendam que a adolescente seja acordada uma vez por dia para receber alimentação e ser levada ao banheiro
Louisa diz se lembrar de muito pouco quando acorda de um episódio. "É tudo branco - sem sonhos. Agora eu recordo mais o que aconteceu. Antes eu não lembrava nada. Meu pai acha que meu cérebro está aprendendo a lidar com isso", diz a jovem.

A síndrome quase arruinou os seus planos profissionais, já que ela dormiu durante a maioria das suas provas. Mas a faculdade permitiu que ela se matriculasse, e hoje Louisa estuda desempenho e excelência esportiva. Seu sonho é se tornar uma dançarina.

Quando ela acorda, leva alguns dias até que volte completamente à rotina, e seu corpo fica rígido, dificultando a dança. Médicos disseram à família que, durante os episódios de sono excessivo, é crucial acordá-la uma vez ao dia para alimentá-la e levá-la ao banheiro.

Mas Lottie, a mãe, diz que a tarefa pode ser penosa: "Já tentei forçá-la a se levantar, mas ela começa a suar e fica muito agitada e agressiva".

Frustrados com a falta de informações sobre a doença na Grã-Bretanha, seus pais a levaram até o hospital Pitié-Salpétrière, em Paris, onde pesquisadores avaliam se o distúrbio pode ter sido causado por um gene defectivo.

Boa fase

Atualmente, Louisa vive uma fase boa: faz mais de três meses que não tem nenhum episódio da doença e, há algumas semanas, ganhou uma competição de dança. Mas seus pais continuam a vigiá-la em busca de sinais do distúrbio.

"Às vezes eu penso 'por que eu?', já que sempre fui uma pessoa saudável. Mas de repente aconteceu e não há motivos. Isso me frustra", diz a jovem. "Mas agora me acostumei e aprendi a viver com isso. Sou uma garota especial."

Síndrome de Kleine-Levin (SKL)

A Síndrome de Kleine-Levin (SKL) caracteriza-se pela trilogia dos sintomas: hipersônia (diurna e noturna), hiperfagia e hipersexualidade. Ainda podem ser acrescentados à trilogia clássica: irritabilidade e apatia. A SKL foi descrita pela primeira vez em 1925 e 1929 por Klein e Levin. É uma perturbação crônica (com duração variável, em torno de 8 anos), paroxística (com períodos críticos de "ataques", que persistem por cerca de 10 dias e que recorrem três a quatro vezes por ano) e bastante incapacitante (tanto para as tarefas intelectuais quanto para a vida profissional e social), embora seja "autolimitada" quanto ao tempo de evolução, isto é, terminando, espontaneamente, com ou sem tratamento. É bastante rara, chegando alguns estudos a mencionarem que até 2004 eram apenas 500 casos registrados em todo mundo. Acredita-se que seja subdiagnosticada. EPIDEMIOLOGIA Mais frequente entre homens, ainda que alguns estudos apontem 21% de mulheres acometidas. Há divergências quanto à idade em que geralmente ocorre o primeiro episódio: alguns trabalhos mencionam primeiro episódio na adolescência como típico, outros o primeiro episódio na segunda década. Dando continuidade aos sintomas na segunda ou terceira décadas de vida. ETIOLOGIA Ainda de causa desconhecida. Suspeita-se que seja uma doença auto-imune desencadeada por vírus, vez que a maioria dos casos principia após uma infecção viral (semelhante à influenza, síndrome gripal), com febre mediana e amidalite. QUADRO CLÍNICO
Durante os episódios
Os episódios podem ser precedidos por uma fase prodrômica que dura de 1 a 3 dias com: mal-estar, cefaléia e letargia. Os ataques de sonolência surgem e terminam repentinamente e duram de dias a semanas. A pessoa dorme por 18, 20h seguidas. Os intervalos de normalidade entre os ataques podem durar: semanas, meses, até anos. Outro sintoma é o consumo de grandes quantidade de comida, que pode se dar pela hiperfagia ou pelobinge eating (compulsão alimentar, ficar comendo toda hora). Com marcante predileção por doces e chocolate. A hiperfagia ou o binge eating podem não estar presentes em todos os ataques de hipersonia. Alguns trabalhos mencionam que a hiperssexualidade somente se apresenta em 1/3 dos pacientes, sendo muito mais frequente em homens. A desinibição social também é marcante. Além disto, humor eufórico é o mais frequente: com o indivíduo acometido tagarelando, cantando, inquieto, nas horas em que não está dormindo. mas labilidade emocional e depressão também são encontrados. Podem apresentar ainda idéias delirantes persecutórias e alucinações visuais. Alguns casos apresentam ainda confusão mental leve.
Após os episódios
Há uma amnésia, pelo menos parcial, envolvendo os fatos ocorridos durante o "ataque". Quase todos os pacientes são normais entre os episódios, entretanto alguns apresentam alterações do humor (irritabilidade, desânimo, etc) e prejuízos cognitivos como facilidade para esquecer. DIAGNÓSTICO É clínico. Durante o "ataque" a polissonografia pode mostrar uma diminuição do sono de ondas lentas com múltiplos episódios de despertar a partir da fase 2. O Teste de Latência de Sono Múltiplos (MSLT) pode evidenciar um sono REM de início tardio. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL Narcolepsia: os "ataques"de sono são muito breves e não costumam durar mais que meia hora. Apnéia do sono: não são ataques, mas uma sonolência crônica. TRATAMENTO O lítio aparece em todos os trabalhos como terapêutica. Outras medicações adjuvantes, especificamente para os ataques, são: modafinil e metilfenidato. COMPLICAÇÕES Prejuízos para a vida acadêmica e laboral dos pacientes, dadas as interrupções provocadas pelos "ataques". Além de prejudicar sua vida familiar e social. PROGNÓSTICO Com o passar do tempo os episódios tendem a ser mais esparsos e menos intensos. Na maioria dos pacientes os episódios cessam na terceira década de vida. BIBLIOGRAFIA LIMA, Dênio and ZAGALO-CARDOSO, José Antônio. Síndrome de Kleine-Levin: caso clínico e dificuldades de diagnóstico. Rev. psiquiatr. Rio Gd. Sul [online]. 2007, vol.29, n.3 [cited 2009-11-25], pp. 328-332. REIMAO, RUBENS and SHIMIZU, MARISA H.. Kleine-levin syndrome: clinical course, polysomnography and multiple sleep latency test. Case report. Arq. Neuro-Psiquiatr. [online]. 1998, vol.56, n.3B [cited 2009-11-25], pp. 650-654 . JUSTO, Luís Pereira; CALIL, Helena Maria; PRADO-BOLOGNANI, Sílvia A. and MUSZKAT, Mauro. Kleine-Levin syndrome: interface between neurology and psychiatry. Arq. Neuro-Psiquiatr. [online]. 2007, vol.65, n.1 [cited 2009-11-25], pp. 150-152 . Síndrome de Kleine-Levin: Revisión y caso clínico. Manual de psiquiatría médica. Por David P. Moore,James W. Jefferson, pp 59-60.

Doença faz com que jovem durma por mais de 10 dias seguidos

Rio - Uma síndrome muito rara fez com que a inglesa Louisa Ball, de 15 anos, ganhasse o apelido de "Bela Adormecida". Mas sua vida não é conto de fadas. O distúrbio neurológico chamado síndrome de Kleine-Levin (SKL) faz com que a adolescente durma por mais de dez dias seguidos. A jovem desenvolveu a doença em 2008, após se recuperar de uma forte gripe. Ementrevista ao jornal inglês Daily Mail, Lottie, 45 anos, mãe de Louisa relatou como se deu o primeiro "surto de sono" de sua filha. " Ela estava exausta e parecia nao estar melhorando. Minha filha começou a dormir na escola e e a falar sobre coisas que não fazia sentido - Ela realmente não parecia a Louisa que conheciamos", disse ela.
A jovem chega a dormir profundamente por 22 horas
Logo após o primeiro surto ela foi encaminhada ao hospital da cidade onde a família mora. O médico que atendeu a adolescente disse ao casal que nao sabia o que havia de errado. O pai de Louisa conta que ela dormia durante dez dias de cada vez. A jovem chega a dormir profundamente por 22 horas, até a hora que os pais a acordam. O tempo sem dormir é o suficiente para comer algum alimento e ir ao banheiro, então ela volta a adormecer. O pai dela conta como é acordar sua filha. "É muito difícil acordá-la, mas sabemos que temos que dar-lhe comida e água", relatou Richard Ball. A síndrome foi diagnosticada em março do último ano. De acordo com os médicos do Hospital de St George, no Reino Unido, o distúrbio está relacionado com o mau funcionamento do hipotálamo, a parte do cérebro que regula o apetite e o sono. De acordo com os especilistas a doença é mais comum em homens do que mulheres e geralmente desaparece na idade adulta. Não há tratamento definitivo para a Síndrome de Kleine-Levin, embora alguns pacientes sejam tratados com medicamentos estimulantes para tentar mantê-los acordados. Louisa começou a tomar um remédio em 2008 mas não fez efeito, ela começou a cair no sono por até 12 dias de cada vez. Um novo medicamento foi receitado para a menina a pouco tempo. Os pais esperam que ele ajude a regular o sono de sua filha.
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Síndrome de Kleine-Levin (SKL)

A Síndrome de Kleine-Levin (SKL) caracteriza-se pela trilogia dos sintomas: hipersônia (diurna e noturna), hiperfagia e hipersexualidade. Ainda podem ser acrescentados à trilogia clássica: irritabilidade e apatia. A SKL foi descrita pela primeira vez em 1925 e 1929 por Klein e Levin. É uma perturbação crônica (com duração variável, em torno de 8 anos), paroxística (com períodos críticos de "ataques", que persistem por cerca de 10 dias e que recorrem três a quatro vezes por ano) e bastante incapacitante (tanto para as tarefas intelectuais quanto para a vida profissional e social), embora seja "autolimitada" quanto ao tempo de evolução, isto é, terminando, espontaneamente, com ou sem tratamento. É bastante rara, chegando alguns estudos a mencionarem que até 2004 eram apenas 500 casos registrados em todo mundo. Acredita-se que seja subdiagnosticada. EPIDEMIOLOGIA Mais frequente entre homens, ainda que alguns estudos apontem 21% de mulheres acometidas. Há divergências quanto à idade em que geralmente ocorre o primeiro episódio: alguns trabalhos mencionam primeiro episódio na adolescência como típico, outros o primeiro episódio na segunda década. Dando continuidade aos sintomas na segunda ou terceira décadas de vida. ETIOLOGIA Ainda de causa desconhecida. Suspeita-se que seja uma doença auto-imune desencadeada por vírus, vez que a maioria dos casos principia após uma infecção viral (semelhante à influenza, síndrome gripal), com febre mediana e amidalite. QUADRO CLÍNICO
Durante os episódios
Os episódios podem ser precedidos por uma fase prodrômica que dura de 1 a 3 dias com: mal-estar, cefaléia e letargia. Os ataques de sonolência surgem e terminam repentinamente e duram de dias a semanas. A pessoa dorme por 18, 20h seguidas. Os intervalos de normalidade entre os ataques podem durar: semanas, meses, até anos. Outro sintoma é o consumo de grandes quantidade de comida, que pode se dar pela hiperfagia ou pelobinge eating (compulsão alimentar, ficar comendo toda hora). Com marcante predileção por doces e chocolate. A hiperfagia ou o binge eating podem não estar presentes em todos os ataques de hipersonia. Alguns trabalhos mencionam que a hiperssexualidade somente se apresenta em 1/3 dos pacientes, sendo muito mais frequente em homens. A desinibição social também é marcante. Além disto, humor eufórico é o mais frequente: com o indivíduo acometido tagarelando, cantando, inquieto, nas horas em que não está dormindo. mas labilidade emocional e depressão também são encontrados. Podem apresentar ainda idéias delirantes persecutórias e alucinações visuais. Alguns casos apresentam ainda confusão mental leve.
Após os episódios
Há uma amnésia, pelo menos parcial, envolvendo os fatos ocorridos durante o "ataque". Quase todos os pacientes são normais entre os episódios, entretanto alguns apresentam alterações do humor (irritabilidade, desânimo, etc) e prejuízos cognitivos como facilidade para esquecer. DIAGNÓSTICO É clínico. Durante o "ataque" a polissonografia pode mostrar uma diminuição do sono de ondas lentas com múltiplos episódios de despertar a partir da fase 2. O Teste de Latência de Sono Múltiplos (MSLT) pode evidenciar um sono REM de início tardio. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL Narcolepsia: os "ataques"de sono são muito breves e não costumam durar mais que meia hora. Apnéia do sono: não são ataques, mas uma sonolência crônica. TRATAMENTO O lítio aparece em todos os trabalhos como terapêutica. Outras medicações adjuvantes, especificamente para os ataques, são: modafinil e metilfenidato. COMPLICAÇÕES Prejuízos para a vida acadêmica e laboral dos pacientes, dadas as interrupções provocadas pelos "ataques". Além de prejudicar sua vida familiar e social. PROGNÓSTICO Com o passar do tempo os episódios tendem a ser mais esparsos e menos intensos. Na maioria dos pacientes os episódios cessam na terceira década de vida. BIBLIOGRAFIA LIMA, Dênio and ZAGALO-CARDOSO, José Antônio. Síndrome de Kleine-Levin: caso clínico e dificuldades de diagnóstico. Rev. psiquiatr. Rio Gd. Sul [online]. 2007, vol.29, n.3 [cited 2009-11-25], pp. 328-332. REIMAO, RUBENS and SHIMIZU, MARISA H.. Kleine-levin syndrome: clinical course, polysomnography and multiple sleep latency test. Case report. Arq. Neuro-Psiquiatr. [online]. 1998, vol.56, n.3B [cited 2009-11-25], pp. 650-654 . JUSTO, Luís Pereira; CALIL, Helena Maria; PRADO-BOLOGNANI, Sílvia A. and MUSZKAT, Mauro. Kleine-Levin syndrome: interface between neurology and psychiatry. Arq. Neuro-Psiquiatr. [online]. 2007, vol.65, n.1 [cited 2009-11-25], pp. 150-152 . Síndrome de Kleine-Levin: Revisión y caso clínico. Manual de psiquiatría médica. Por David P. Moore,James W. Jefferson, pp 59-60.

Doença faz com que jovem durma por mais de 10 dias seguidos

Rio - Uma síndrome muito rara fez com que a inglesa Louisa Ball, de 15 anos, ganhasse o apelido de "Bela Adormecida". Mas sua vida não é conto de fadas. O distúrbio neurológico chamado síndrome de Kleine-Levin (SKL) faz com que a adolescente durma por mais de dez dias seguidos. A jovem desenvolveu a doença em 2008, após se recuperar de uma forte gripe. Ementrevista ao jornal inglês Daily Mail, Lottie, 45 anos, mãe de Louisa relatou como se deu o primeiro "surto de sono" de sua filha. " Ela estava exausta e parecia nao estar melhorando. Minha filha começou a dormir na escola e e a falar sobre coisas que não fazia sentido - Ela realmente não parecia a Louisa que conheciamos", disse ela.
A jovem chega a dormir profundamente por 22 horas
Logo após o primeiro surto ela foi encaminhada ao hospital da cidade onde a família mora. O médico que atendeu a adolescente disse ao casal que nao sabia o que havia de errado. O pai de Louisa conta que ela dormia durante dez dias de cada vez. A jovem chega a dormir profundamente por 22 horas, até a hora que os pais a acordam. O tempo sem dormir é o suficiente para comer algum alimento e ir ao banheiro, então ela volta a adormecer. O pai dela conta como é acordar sua filha. "É muito difícil acordá-la, mas sabemos que temos que dar-lhe comida e água", relatou Richard Ball. A síndrome foi diagnosticada em março do último ano. De acordo com os médicos do Hospital de St George, no Reino Unido, o distúrbio está relacionado com o mau funcionamento do hipotálamo, a parte do cérebro que regula o apetite e o sono. De acordo com os especilistas a doença é mais comum em homens do que mulheres e geralmente desaparece na idade adulta. Não há tratamento definitivo para a Síndrome de Kleine-Levin, embora alguns pacientes sejam tratados com medicamentos estimulantes para tentar mantê-los acordados. Louisa começou a tomar um remédio em 2008 mas não fez efeito, ela começou a cair no sono por até 12 dias de cada vez. Um novo medicamento foi receitado para a menina a pouco tempo. Os pais esperam que ele ajude a regular o sono de sua  garota .

Síndrome de Kleine-Levin (SKL)

A Síndrome de Kleine-Levin (SKL) caracteriza-se pela trilogia dos sintomas: hipersônia (diurna e noturna), hiperfagia e hipersexualidade. Ainda podem ser acrescentados à trilogia clássica: irritabilidade e apatia. A SKL foi descrita pela primeira vez em 1925 e 1929 por Klein e Levin. É uma perturbação crônica (com duração variável, em torno de 8 anos), paroxística (com períodos críticos de "ataques", que persistem por cerca de 10 dias e que recorrem três a quatro vezes por ano) e bastante incapacitante (tanto para as tarefas intelectuais quanto para a vida profissional e social), embora seja "autolimitada" quanto ao tempo de evolução, isto é, terminando, espontaneamente, com ou sem tratamento. É bastante rara, chegando alguns estudos a mencionarem que até 2004 eram apenas 500 casos registrados em todo mundo. Acredita-se que seja subdiagnosticada. EPIDEMIOLOGIA Mais frequente entre homens, ainda que alguns estudos apontem 21% de mulheres acometidas. Há divergências quanto à idade em que geralmente ocorre o primeiro episódio: alguns trabalhos mencionam primeiro episódio na adolescência como típico, outros o primeiro episódio na segunda década. Dando continuidade aos sintomas na segunda ou terceira décadas de vida. ETIOLOGIA Ainda de causa desconhecida. Suspeita-se que seja uma doença auto-imune desencadeada por vírus, vez que a maioria dos casos principia após uma infecção viral (semelhante à influenza, síndrome gripal), com febre mediana e amidalite. QUADRO CLÍNICO
Durante os episódios
Os episódios podem ser precedidos por uma fase prodrômica que dura de 1 a 3 dias com: mal-estar, cefaléia e letargia. Os ataques de sonolência surgem e terminam repentinamente e duram de dias a semanas. A pessoa dorme por 18, 20h seguidas. Os intervalos de normalidade entre os ataques podem durar: semanas, meses, até anos. Outro sintoma é o consumo de grandes quantidade de comida, que pode se dar pela hiperfagia ou pelobinge eating (compulsão alimentar, ficar comendo toda hora). Com marcante predileção por doces e chocolate. A hiperfagia ou o binge eating podem não estar presentes em todos os ataques de hipersonia. Alguns trabalhos mencionam que a hiperssexualidade somente se apresenta em 1/3 dos pacientes, sendo muito mais frequente em homens. A desinibição social também é marcante. Além disto, humor eufórico é o mais frequente: com o indivíduo acometido tagarelando, cantando, inquieto, nas horas em que não está dormindo. mas labilidade emocional e depressão também são encontrados. Podem apresentar ainda idéias delirantes persecutórias e alucinações visuais. Alguns casos apresentam ainda confusão mental leve.
Após os episódios
Há uma amnésia, pelo menos parcial, envolvendo os fatos ocorridos durante o "ataque". Quase todos os pacientes são normais entre os episódios, entretanto alguns apresentam alterações do humor (irritabilidade, desânimo, etc) e prejuízos cognitivos como facilidade para esquecer. DIAGNÓSTICO É clínico. Durante o "ataque" a polissonografia pode mostrar uma diminuição do sono de ondas lentas com múltiplos episódios de despertar a partir da fase 2. O Teste de Latência de Sono Múltiplos (MSLT) pode evidenciar um sono REM de início tardio. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL Narcolepsia: os "ataques"de sono são muito breves e não costumam durar mais que meia hora. Apnéia do sono: não são ataques, mas uma sonolência crônica. TRATAMENTO O lítio aparece em todos os trabalhos como terapêutica. Outras medicações adjuvantes, especificamente para os ataques, são: modafinil e metilfenidato. COMPLICAÇÕES Prejuízos para a vida acadêmica e laboral dos pacientes, dadas as interrupções provocadas pelos "ataques". Além de prejudicar sua vida familiar e social. PROGNÓSTICO Com o passar do tempo os episódios tendem a ser mais esparsos e menos intensos. Na maioria dos pacientes os episódios cessam na terceira década de vida. BIBLIOGRAFIA LIMA, Dênio and ZAGALO-CARDOSO, José Antônio. Síndrome de Kleine-Levin: caso clínico e dificuldades de diagnóstico. Rev. psiquiatr. Rio Gd. Sul [online]. 2007, vol.29, n.3 [cited 2009-11-25], pp. 328-332. REIMAO, RUBENS and SHIMIZU, MARISA H.. Kleine-levin syndrome: clinical course, polysomnography and multiple sleep latency test. Case report. Arq. Neuro-Psiquiatr. [online]. 1998, vol.56, n.3B [cited 2009-11-25], pp. 650-654 . JUSTO, Luís Pereira; CALIL, Helena Maria; PRADO-BOLOGNANI, Sílvia A. and MUSZKAT, Mauro. Kleine-Levin syndrome: interface between neurology and psychiatry. Arq. Neuro-Psiquiatr. [online]. 2007, vol.65, n.1 [cited 2009-11-25], pp. 150-152 . Síndrome de Kleine-Levin: Revisión y caso clínico. Manual de psiquiatría médica. Por David P. Moore,James W. Jefferson, pp 59-60.

Doença faz com que jovem durma por mais de 10 dias seguidos

Rio - Uma síndrome muito rara fez com que a inglesa Louisa Ball, de 15 anos, ganhasse o apelido de "Bela Adormecida". Mas sua vida não é conto de fadas. O distúrbio neurológico chamado síndrome de Kleine-Levin (SKL) faz com que a adolescente durma por mais de dez dias seguidos. A jovem desenvolveu a doença em 2008, após se recuperar de uma forte gripe. Ementrevista ao jornal inglês Daily Mail, Lottie, 45 anos, mãe de Louisa relatou como se deu o primeiro "surto de sono" de sua filha. " Ela estava exausta e parecia nao estar melhorando. Minha filha começou a dormir na escola e e a falar sobre coisas que não fazia sentido - Ela realmente não parecia a Louisa que conheciamos", disse ela.
A jovem chega a dormir profundamente por 22 horas
Logo após o primeiro surto ela foi encaminhada ao hospital da cidade onde a família mora. O médico que atendeu a adolescente disse ao casal que nao sabia o que havia de errado. O pai de Louisa conta que ela dormia durante dez dias de cada vez. A jovem chega a dormir profundamente por 22 horas, até a hora que os pais a acordam. O tempo sem dormir é o suficiente para comer algum alimento e ir ao banheiro, então ela volta a adormecer. O pai dela conta como é acordar sua filha. "É muito difícil acordá-la, mas sabemos que temos que dar-lhe comida e água", relatou Richard Ball. A síndrome foi diagnosticada em março do último ano. De acordo com os médicos do Hospital de St George, no Reino Unido, o distúrbio está relacionado com o mau funcionamento do hipotálamo, a parte do cérebro que regula o apetite e o sono. De acordo com os especilistas a doença é mais comum em homens do que mulheres e geralmente desaparece na idade adulta. Não há tratamento definitivo para a Síndrome de Kleine-Levin, embora alguns pacientes sejam tratados com medicamentos estimulantes para tentar mantê-los acordados. Louisa começou a tomar um remédio em 2008 mas não fez efeito, ela começou a cair no sono por até 12 dias de cada vez. Um novo medicamento foi receitado para a menina a pouco tempo. Os pais esperam que ele ajude a regular o sono de sua filha.
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